O que caracteriza a mudança de risco
O exame de mudança de risco ocupacional é feito quando o colaborador passa a uma função, setor ou atividade que o expõe a riscos diferentes dos que tinha antes. Ele é obrigatório pela NR-7 e precisa acontecer antes da data da mudança. O médico do trabalho avalia se a pessoa está apta para a nova realidade e emite um ASO atualizado.
O exemplo clássico é o auxiliar administrativo promovido a encarregado de produção. A sala com ar-condicionado vira um galpão com ruído, empilhadeira circulando e poeira no ar. A pessoa é a mesma, mas o que o trabalho exige do corpo dela mudou bastante.
Situações que costumam passar despercebidas
Promoções são fáceis de lembrar. O problema são as mudanças silenciosas, que acontecem no dia a dia sem passar pelo RH:
- Vendedor interno que passa a fazer entregas de moto ou carro
- Auxiliar de limpeza que começa a usar produtos químicos mais fortes
- Operador transferido para um turno noturno ou um setor com calor intenso
- Colaborador que começa a trabalhar em altura ou em espaço confinado
- Chegada de uma máquina nova que muda o nível de ruído do setor
Erro comum: atualizar a função no sistema da folha e esquecer de avisar quem cuida da saúde ocupacional. O ASO fica desatualizado e as informações enviadas ao eSocial deixam de bater com o PGR e com o S-2240. Crie um gatilho simples: toda mudança de função passa por uma conferência de riscos.
Como saber se a nova função traz outros riscos?
A resposta está no inventário de riscos do PGR. Compare o que aparece para a função antiga e para a nova. Se surgir um agente diferente, seja físico, químico, biológico, ergonômico ou de acidente, o exame é necessário. Se os riscos forem os mesmos, a mudança de cargo não exige nova avaliação.
| Mudança | Riscos novos? | Exame de mudança de risco |
|---|---|---|
| Assistente financeiro vira analista financeiro | Não | Não é necessário |
| Recepcionista passa a atender no laboratório | Sim, biológicos | Necessário antes da troca |
| Ajudante de obra passa a trabalhar em andaimes | Sim, trabalho em altura | Necessário antes da troca |
Quando a nova função pede complementares que a pessoa não fazia, como a audiometria para quem passa a conviver com ruído, eles entram no mesmo atendimento.
E se a pessoa não estiver apta para a nova função?
Acontece. Um colaborador pode estar ótimo para o trabalho de escritório e ter uma condição que não combina com trabalho em altura ou com exposição a determinado produto químico. Nesse caso, o médico registra a inaptidão para a nova atividade e explica o motivo à pessoa, preservando o sigilo sobre detalhes de saúde.
A empresa então avalia alternativas: manter o colaborador na função antiga, buscar outra vaga compatível ou adaptar a nova rotina, quando possível. É por isso que o exame precisa vir antes da troca. Descobrir a inaptidão depois que a pessoa já assumiu o posto é muito mais complicado para todos.
Passo a passo com a MT2
Avise com antecedência
Informe a função atual, a nova função e a data prevista da troca.
Comparamos os riscos
Conferimos no PGR e no PCMSO o que muda e quais exames entram.
Atendimento
O colaborador faz a entrevista, o exame clínico presencial e os complementares da nova função.
ASO atualizado
O RH recebe o novo ASO e as informações seguem para o S-2220, conforme o Manual de Orientação do eSocial vigente.
Como a MT2 ajuda nessa transição
Ajudamos a sua equipe a reconhecer as mudanças que pedem exame e a resolver tudo antes de a pessoa assumir o novo posto. Com o PGR e o PCMSO atualizados, a comparação de riscos fica rápida e o ASO de cada colaborador continua refletindo a rotina real dele.