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Inventário de riscos do PGR: guia prático para montar e manter atualizado

O inventário de riscos é o coração do PGR: é nele que a empresa registra o que pode causar dano a quem trabalha. Veja como ele é construído e como evitar que vire um documento de gaveta.

Publicado em 13/10/2026 · Leitura de 5 min

O que é o inventário de riscos, em resumo

O inventário de riscos é a parte do PGR, previsto na NR-1, em que a empresa registra os perigos de cada atividade, avalia o nível de cada risco e indica as medidas de controle. Toda organização obrigada a ter PGR precisa mantê-lo atualizado. Ele é a base para o plano de ação, para o PCMSO e para as informações ambientais enviadas ao eSocial.

Resumo em 3 pontos:

  • O inventário descreve perigos, possíveis danos, quem está exposto e o nível de risco.
  • Ele não termina em si: cada risco relevante precisa virar uma ação no plano.
  • Mudou o processo, o produto ou o layout, o inventário precisa ser revisto.

Perigo e risco não são a mesma coisa

Essa distinção ajuda muito na hora de montar o documento. Perigo é a fonte com potencial de causar dano: uma serra circular, um tanque de solvente, uma escada sem guarda-corpo. Risco é a combinação da chance de esse dano acontecer com a gravidade dele. A mesma serra pode representar risco alto em uma marcenaria sem proteção e risco bem menor em outra, com coifa, treinamento e manutenção em dia.

Por isso, dois inventários de empresas do mesmo ramo nunca devem ser iguais. Copiar modelo de outra empresa é um dos jeitos mais rápidos de ter um documento que não serve.

As colunas que o inventário precisa ter

CampoO que registrarExemplo fictício
Atividade ou postoOnde e o que a pessoa fazLavagem de peças na manutenção
PerigoA fonte do possível danoSolvente usado no desengraxe
Possível danoO que pode acontecer à saúdeIrritação de pele, efeitos por inalação
ExpostosQuem e comoMecânicos, durante parte da jornada
AvaliaçãoNível de risco e, quando cabe, resultado de mediçãoRisco a ser quantificado por avaliação ambiental
Controles atuaisO que já existeLuvas, bancada ventilada
Ação propostaO que precisa melhorarTrocar por produto menos tóxico, medir exposição

Passo a passo para levantar os riscos

  1. Mapeie as atividades reais

    Converse com quem executa o trabalho, não só com a gerência. O jeito que a tarefa é feita no turno da noite pode ser bem diferente do que está no procedimento.

  2. Identifique os perigos de cada atividade

    Percorra o ambiente observando máquinas, produtos, posturas, organização do trabalho e circulação de pessoas e veículos.

  3. Avalie os riscos

    Combine probabilidade e gravidade com um critério definido e escrito no PGR. Quando a avaliação qualitativa não basta, programe medições.

  4. Registre os controles existentes

    EPI, proteções de máquina, ventilação, rodízio, treinamento. Isso mostra o ponto de partida.

  5. Defina as ações

    Priorize eliminar ou reduzir o risco na fonte; o EPI vem depois das medidas coletivas e administrativas.

  6. Revise periodicamente

    Programe revisões e faça uma nova análise sempre que houver mudança relevante no processo.

Exemplos de como o inventário muda a rotina

Uma lavanderia industrial identifica no inventário que o setor de recebimento manuseia roupas de hospitais, com risco biológico. A ação resultante não é só comprar luvas: inclui procedimento de recebimento, separação de área, treinamento e acompanhamento médico específico no PCMSO.

Um centro de distribuição registra que o maior risco de acidente está no cruzamento de empilhadeiras com pedestres. O plano de ação traz faixas de circulação, espelhos convexos, limite de velocidade interno e treinamento de operadores.

Um call center percebe, ao incluir fatores ergonômicos e psicossociais, que metas e pausas mal distribuídas pesam mais do que o mobiliário. A ação envolve gestão e organização do trabalho, e não só cadeiras novas.

Erro comum: preencher a coluna de ações com "usar EPI" para todos os riscos. A NR-1 pede uma hierarquia de medidas, começando pela eliminação e pelas proteções coletivas. Quando o EPI aparece sozinho, normalmente o risco não está sendo gerenciado, só remediado.

Quando entram as medições

Nem todo risco pode ser bem avaliado só pela observação. Ruído, calor, poeira, vapores e outros agentes muitas vezes precisam de avaliação quantitativa para saber se a exposição está controlada. Esses dados alimentam o inventário e também servem de base para o LTCAT e os laudos de insalubridade. Veja como funcionam as avaliações de higiene ocupacional.

Para tarefas pontuais ou não rotineiras, como uma manutenção em altura ou a limpeza de um tanque, a ferramenta indicada costuma ser a análise preliminar de riscos, que complementa o inventário.

Os fatores psicossociais no inventário

A NR-1 inclui os fatores de risco psicossociais no gerenciamento de riscos ocupacionais. Na prática, isso significa olhar também para a organização do trabalho: ritmo, metas, jornada, clareza de papéis, relações e situações de assédio. Esses fatores devem aparecer no inventário com o mesmo cuidado dado aos riscos físicos. Saiba mais em riscos psicossociais na NR-1.

Do inventário ao plano de ação

O inventário mostra onde estão os problemas; o plano de ação diz o que será feito. Cada item do plano precisa responder a perguntas simples: o que será feito, quem é o responsável, até quando e como a empresa vai verificar se funcionou. Sem essas respostas, o plano vira uma lista de boas intenções.

Uma dica prática é priorizar pelo nível de risco. Riscos classificados como altos recebem ações imediatas, mesmo que provisórias, enquanto a solução definitiva é planejada. Riscos moderados entram no cronograma do período, e riscos baixos são acompanhados para não piorarem.

Sinais de que o seu inventário precisa de revisão

  • Há setores ou funções que existem na folha de pagamento, mas não aparecem no documento.
  • Máquinas ou produtos químicos novos foram comprados desde a última revisão.
  • Aconteceram acidentes ou quase acidentes que o inventário não previa.
  • O plano de ação tem itens antigos sem responsável nem prazo definido.
  • O PCMSO pede exames que não batem com os riscos registrados.

Como a MT2 pode estruturar o seu PGR

A equipe da MT2 levanta os riscos visitando o ambiente e conversando com quem faz o trabalho, monta o inventário e organiza um plano de ação viável para a sua realidade. Como o PGR e o PCMSO podem ser feitos juntos, os exames de cada função saem coerentes com os riscos. Fale com a gente pelo WhatsApp.

Dúvidas

Perguntas frequentes

O inventário precisa listar cada trabalhador pelo nome?

Não. O inventário trabalha com atividades, postos ou grupos de exposição. A ligação com cada pessoa é feita pelo cadastro da função no RH e, depois, nos eventos do eSocial.

Uma reforma no galpão obriga a refazer o inventário?

Obriga a revisar. Mudanças de layout, máquinas novas, novos produtos químicos ou novos processos podem criar ou eliminar riscos, e o inventário precisa refletir a realidade atual.

Os riscos de acidente também entram ou só os de doença?

Entram todos os perigos relevantes: agentes físicos, químicos e biológicos, fatores ergonômicos, fatores psicossociais e riscos de acidente, como máquinas, eletricidade, quedas e trânsito interno.

Pronto para colocar a saúde ocupacional em dia?

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