O que é a APR
A APR (Análise Preliminar de Riscos) é uma ferramenta usada antes de uma tarefa para dividir o trabalho em etapas, identificar o que pode dar errado em cada uma e definir as medidas de controle e os responsáveis. Ela é indicada para atividades não rotineiras ou de risco elevado, como manutenção, trabalho em altura, espaço confinado, serviços com eletricidade e obras. Várias normas, como a NR-10, a NR-33 e a NR-35, pedem análise de risco antes de serviços desse tipo.
Quando a APR deve ser feita?
- Manutenção corretiva ou preventiva em máquinas e instalações
- Trabalho em telhados, andaimes, plataformas ou escadas
- Entrada em tanques, silos, caixas d'água ou galerias
- Intervenções em painéis e instalações elétricas
- Uso de produtos químicos perigosos fora da rotina
- Serviços de terceiros dentro da empresa
- Mudança de layout, montagem ou desmontagem de estruturas
Como uma APR é organizada
O formato é simples, e é justamente isso que a torna útil no chão de fábrica. Veja um trecho de exemplo para a troca de telhas em um galpão:
| Etapa | Perigo | Possível consequência | Medida de controle |
|---|---|---|---|
| Acesso ao telhado | Queda de altura | Lesão grave | Escada fixada, linha de vida, cinto com talabarte, trabalhadores capacitados em NR-35 |
| Remoção das telhas | Telhas frágeis | Queda através do telhado | Tábuas de passagem sobre as terças, proibição de pisar nas telhas |
| Descida do material | Queda de objetos | Atingir pessoas abaixo | Isolamento e sinalização da área, içamento controlado |
Passo a passo para uma APR bem feita
Defina a tarefa
Descreva o que será feito, onde, por quem e com quais equipamentos.
Divida em etapas
Liste a sequência real do serviço, do preparo à liberação da área.
Identifique os perigos
Em cada etapa, pergunte o que pode machucar alguém: queda, choque, esmagamento, inalação, incêndio.
Escolha as medidas
Priorize eliminar o perigo e as proteções coletivas; depois procedimentos e EPIs.
Distribua responsabilidades
Diga quem confere cada medida e quem pode interromper o serviço.
Discuta com a equipe
Leia a APR com quem vai executar, no local, antes de começar.
Erro comum: preencher a APR no escritório, assinar e guardar, sem que a equipe tenha lido. A análise só protege quando é discutida no local da tarefa, com quem vai fazer o serviço, e quando qualquer pessoa se sente autorizada a parar se algo estiver diferente do planejado.
APR, AST e procedimentos
Algumas empresas usam o nome AST (Análise de Segurança da Tarefa) para uma análise semelhante, focada em tarefas específicas. O importante não é o nome, e sim o conteúdo. Tarefas que se repetem com frequência merecem um procedimento operacional escrito, enquanto a APR fica para o que é novo, raro ou de risco alto. Ambos se apoiam no inventário de riscos do PGR.
Em serviços com máquinas, a APR complementa o laudo NR-12, principalmente em manutenção e desobstrução. Para tarefas em altura, veja também o treinamento de NR-35.
Sinais de que a APR virou só papel
- Todas as APRs da empresa têm os mesmos perigos e as mesmas medidas
- O documento é assinado depois que o serviço terminou
- A equipe não sabe dizer o que está escrito na análise
- Ninguém nunca interrompeu um serviço por causa da APR
- Os acidentes e quase acidentes não geram revisão dos modelos
Se você reconheceu algum desses pontos, vale rever o processo com a liderança antes do próximo serviço crítico.
Como a MT2 ajuda
Elaboramos APRs para as tarefas críticas da sua empresa, criamos modelos adaptados à sua realidade e treinamos líderes e equipes para preencher e discutir a análise no local. Também revisamos APRs de prestadores de serviço, para que o trabalho de terceiros siga as mesmas regras de segurança que a sua equipe.