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Audiometria ocupacional: qual é a periodicidade e quem precisa fazer?

Ruído é um dos riscos mais comuns no chão de fábrica, e a audiometria é o exame que acompanha seus efeitos. Veja quando ela é feita e como o RH organiza o calendário.

Publicado em 13/10/2026 · Leitura de 5 min

A resposta curta sobre a periodicidade

A audiometria ocupacional é obrigatória para trabalhadores expostos a níveis de pressão sonora elevados, conforme identificado no PGR e previsto no PCMSO. Pelo Anexo II da NR-7, o exame é feito na admissão, repetido 6 meses depois e, a partir daí, anualmente. O médico do trabalho pode antecipar exames quando houver alteração ou queixa.

Resumo em 3 pontos:

  • Quem define quem faz o exame é a avaliação de ruído do ambiente, registrada no PGR.
  • A sequência básica é admissão, 6 meses depois e depois anual, além da demissão quando prevista no PCMSO.
  • A audiometria só faz sentido dentro de um programa de conservação auditiva, com medidas para reduzir o ruído.

Quem entra no calendário de audiometria

O critério não é o cargo nem o setor por si só, e sim a exposição medida. Um mecânico de manutenção pode estar exposto durante boa parte da jornada; um auxiliar administrativo que passa pela produção duas vezes por dia, provavelmente não. Essa diferença aparece na avaliação de ruído feita pela segurança do trabalho, que alimenta o inventário de riscos do PGR.

Com o inventário em mãos, o médico responsável pelo PCMSO define quais funções fazem o exame. Se a empresa nunca mediu o ruído, o primeiro passo é a avaliação ambiental, como a do laudo de agentes físicos. Sem ela, a lista de quem faz audiometria vira um palpite.

O calendário na prática

MomentoPara que serve
AdmissãoRegistra a audição de referência do trabalhador antes da exposição na empresa
6 meses após a admissãoVerifica se surgiu alguma alteração logo no início da exposição
Anualmente, a partir daíAcompanha a evolução e compara com a referência
Demissão, quando prevista no PCMSODocumenta a audição na saída da empresa
A critério do médicoExames extras diante de queixas, alterações ou mudança de exposição

Note que a audiometria de 6 meses não coincide, em geral, com o exame periódico clínico. O RH precisa controlar esse marco separadamente, porque ele costuma ser esquecido.

Exemplo: uma gráfica com três turnos

Imagine uma gráfica que contrata quatro impressores em março, dois em junho e um em setembro. Se o RH controla tudo apenas pela data do periódico anual, os exames de 6 meses de cada grupo passam batido. A solução é simples: ao lançar o ASO admissional, já registrar na planilha ou no sistema a data prevista do exame de 6 meses e a do primeiro exame anual. Com isso, cada colaborador tem o próprio calendário.

Outra situação comum: um auxiliar de expedição é transferido para a área de impressão. Ele passa a ter exposição a ruído e, por isso, precisa do exame de mudança de risco, com audiometria antes de assumir o novo posto. A partir daí, segue o calendário de quem está exposto.

Como o exame é feito

A audiometria tonal é realizada em cabine acústica, com fones. O trabalhador indica quando ouve os sons apresentados em diferentes frequências e intensidades. Em alguns casos, também são feitos testes com a fala. O resultado é um gráfico, o audiograma, que mostra a capacidade auditiva de cada orelha.

O mais importante é a comparação ao longo do tempo. Um exame isolado diz pouco; a série histórica é que mostra se a audição está estável ou se começa a se alterar no padrão típico da exposição ao ruído.

Erro comum: mandar o trabalhador para a audiometria direto do posto de trabalho barulhento. O ruído recente pode causar uma redução temporária da audição e distorcer o resultado. Siga a orientação de repouso auditivo informada no agendamento e programe o exame no início do turno ou em dia de folga.

Quando o resultado mostra alteração

Se a audiometria indica mudança em relação ao exame de referência, o médico do trabalho avalia o caso. Ele pode pedir exames complementares, encaminhar para investigação e verificar se a alteração tem relação com o trabalho. Também pode recomendar reforço nas medidas de proteção do setor.

Para a empresa, uma alteração é um sinal de que algo no controle do ruído precisa ser revisto: manutenção das máquinas, enclausuramento, rodízio, escolha e uso correto do protetor auricular, treinamento. É aí que entra o PCA, programa de conservação auditiva.

Checklist para manter a audiometria em dia

  • Lista de funções expostas atualizada conforme o PGR.
  • Data da audiometria admissional de cada exposto registrada.
  • Data do exame de 6 meses programada no mesmo dia da admissão.
  • Exames anuais agrupados por mês para facilitar o agendamento.
  • Orientação de repouso auditivo enviada ao colaborador com antecedência.
  • Resultados arquivados em ordem, para permitir a comparação.

Situações que mudam o calendário

Algumas situações exigem atenção extra do RH, porque saem da sequência padrão. Um trabalhador exposto que volta de um afastamento de 30 dias ou mais faz o exame de retorno antes de reassumir, e o médico avalia se a audiometria deve entrar nesse momento. Quem muda de setor e passa a ter exposição a ruído inicia um novo ciclo de acompanhamento a partir do exame de mudança de risco.

O caminho contrário também acontece: quando o trabalhador deixa de ser exposto, por exemplo, ao ser promovido para uma função administrativa, o médico pode rever a necessidade de manter o exame. Essa decisão fica registrada no PCMSO.

Há ainda os casos de queixa. Se o colaborador relata zumbido, sensação de ouvido tampado ou dificuldade para entender conversas, não é preciso esperar o próximo exame anual. O médico do trabalho pode antecipar a avaliação e orientar o encaminhamento.

A audiometria e o PCMSO

A audiometria não é um exame avulso: ela faz parte do programa médico da empresa. É o PCMSO que diz quem faz, quando faz e o que fazer diante de alterações. Também é no relatório analítico do PCMSO que os resultados de audiometria são consolidados, o que ajuda a enxergar se um setor está piorando ao longo do tempo. Saiba mais sobre o PCMSO.

Onde a MT2 entra nesse processo

A MT2 realiza a audiometria ocupacional em cabine acústica e ajuda o RH a manter o calendário de cada exposto, integrado aos demais exames do PCMSO. Se a sua empresa ainda não tem a avaliação de ruído, podemos começar por ela. Fale com a nossa equipe pelo WhatsApp.

Dúvidas

Perguntas frequentes

O colaborador que usa protetor auricular o tempo todo ainda precisa do exame?

Sim. O protetor reduz a exposição, mas não elimina a necessidade de acompanhamento. A audiometria é justamente o que mostra se a proteção está funcionando na prática.

A audiometria pode ser feita logo depois do turno?

Não é o ideal. O exame pede repouso auditivo antes, para não captar uma perda temporária causada pelo ruído do dia. A orientação exata é passada no agendamento.

Quem trabalha em escritório perto da produção precisa de audiometria?

Depende da avaliação de ruído. Se o PGR indicar exposição relevante naquele posto, o PCMSO inclui o exame. Por isso a medição do ambiente vem antes da decisão médica.

Pronto para colocar a saúde ocupacional em dia?

Mande uma mensagem com o número de colaboradores e as funções. A gente indica o caminho.

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