Resposta rápida: o que é e quando fazer
O exame admissional é a avaliação médica ocupacional que todo contratado pela CLT faz antes de começar a trabalhar. Ele confirma se a pessoa está apta para os riscos daquela função específica e termina com a emissão do ASO. A organização é responsabilidade do RH, mas o conteúdo do exame vem do PCMSO da empresa.
Resumo em 3 pontos:
- O exame acontece antes do primeiro dia de atividade, nunca depois.
- Quais exames entram depende da função registrada no PGR e do que o PCMSO prevê para ela.
- O ASO fecha o processo e as informações seguem para o evento S-2220 do eSocial.
Antes de marcar: o que o RH precisa ter em mãos
A maior parte dos atrasos no admissional nasce de uma informação errada sobre a função. Quando o RH escreve "auxiliar geral" no pedido, mas a pessoa vai trabalhar na expedição com empilhadeira, a clínica agenda os exames errados e tudo precisa ser refeito. Por isso, o primeiro passo é conferir três coisas.
- Cargo e setor exatos, com o mesmo nome usado no inventário de riscos do PGR.
- PCMSO atualizado, para saber quais exames complementares cabem àquela função.
- Dados pessoais do candidato e um contato direto dele, para confirmar horário e orientações de preparo.
Se a empresa ainda não tem programa médico, vale resolver isso primeiro. O PCMSO é o que diz ao médico o que avaliar.
O passo a passo do admissional
Confirme a função no PGR
Abra o inventário de riscos e veja a qual grupo de exposição o cargo pertence. Isso evita pedidos genéricos e exames desnecessários.
Solicite o agendamento
Envie à clínica nome, função, setor e, se for a primeira vez, o PCMSO vigente. A clínica devolve a lista de exames prevista e as orientações para o candidato.
Oriente o candidato
Explique onde ir, o que levar e se algum exame pede preparo. Um recado claro reduz faltas e remarcações.
Atendimento na clínica
O candidato responde à anamnese ocupacional, passa pelo exame clínico presencial com o médico do trabalho e faz os complementares indicados.
Emissão do ASO
Com tudo avaliado, o médico conclui se a pessoa está apta ou inapta para a função e emite o atestado.
Arquivo e eSocial
O RH guarda o ASO no prontuário do colaborador e as informações são enviadas no S-2220, conforme o Manual de Orientação do eSocial vigente.
Exemplos práticos de rotinas diferentes
Para entender como o mesmo processo muda de acordo com a função, veja três situações fictícias.
Escritório de contabilidade contratando uma assistente fiscal. A função não tem exposição relevante a agentes físicos, químicos ou biológicos. O PCMSO prevê só o exame clínico. O processo é simples, e o maior cuidado do RH é não deixar a nova colaboradora começar antes de receber o ASO.
Indústria de embalagens contratando um operador de máquina. O setor tem ruído contínuo, então o PCMSO inclui audiometria. Esse primeiro exame vira a referência auditiva do trabalhador para os anos seguintes, e por isso precisa ser bem feito, com o repouso auditivo orientado na hora do agendamento.
Distribuidora contratando um motorista de caminhão. Além do clínico, o PCMSO pode prever acuidade visual e outros exames ligados à condução. Como se trata de motorista profissional com CNH de categoria C, D ou E, o RH também precisa acompanhar a exigência do exame toxicológico prevista em lei para esse público.
Quem faz o quê no admissional
| Responsável | O que cabe a ele |
|---|---|
| RH ou departamento pessoal | Informar a função correta, agendar, orientar o candidato e arquivar o ASO |
| Segurança do trabalho | Manter o PGR atualizado com os riscos de cada função |
| Médico do trabalho | Avaliar o candidato, interpretar os complementares e concluir a aptidão |
| Candidato | Comparecer, seguir o preparo e informar o histórico de saúde com sinceridade |
O que o candidato vive no dia do exame
Do lado de quem está sendo contratado, o admissional é uma consulta. O médico pergunta sobre doenças anteriores, cirurgias, uso de medicamentos, empregos anteriores e exposições que a pessoa já teve. Em seguida faz o exame físico, que é sempre presencial, e analisa os complementares.
Vale lembrar o candidato de que o exame não é uma "prova" para eliminá-lo. O objetivo é verificar se a função oferece algum risco específico para a saúde dele e registrar como ele chega à empresa. Informações omitidas atrapalham justamente essa proteção.
Erro comum: tratar o ASO como se tivesse prazo de validade. A NR-7 não fixa validade para o atestado. O que existe são os momentos certos de cada exame: admissional, periódico, retorno ao trabalho, mudança de risco e demissional.
E se o resultado for inapto?
Acontece, e o RH precisa estar preparado. O médico explica ao candidato a razão da conclusão, sem expor detalhes clínicos à empresa. O ASO informa apenas a aptidão ou inaptidão para aquela função. A partir daí, a empresa pode avaliar se existe outra vaga compatível, o que exige novo exame para o novo cargo.
Um ponto de atenção: a inaptidão é para a função, não para o trabalho em geral. Uma pessoa considerada inapta para trabalho em altura pode estar perfeitamente apta para atividades administrativas.
Erros que mais atrasam a contratação
- Mandar o candidato para a clínica sem informar a função.
- Usar um PCMSO antigo, que não cobre o cargo novo criado no ano.
- Esquecer de avisar sobre preparo de exames laboratoriais ou repouso auditivo.
- Liberar o início das atividades "provisoriamente" antes do ASO.
- Não guardar o ASO junto do registro do colaborador.
Para ver todos os tipos de avaliação que acompanham o colaborador depois da contratação, consulte a página de exames ocupacionais e ASO.
Como a MT2 apoia o seu RH no admissional
Na MT2, o agendamento é feito por mensagem e nossa equipe confere no PCMSO quais exames entram para cada função antes de chamar o candidato. O exame clínico e os exames complementares são organizados para que o ASO chegue ao RH com as informações prontas para o eSocial. Se quiser, conheça como funciona o nosso exame admissional e fale com a gente.